12 setembro 2010

PARADA GAY: Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia!


Hoje em Salvador acontecerá mais uma Parada Gay! Sempre apoiei a causa, pois acho que todo ser humano tem direito a fazer suas escolhas (nem gosto dessa palavra pra esse assunto!) e temos que respeitar SEMPRE!
Pedi a um grande amigo meu, o Professor Ari Sacramento, para escrever um texto sobre este grande dia! Faço das palavras de Ari as minhas palavras, pois acredito na causa e devemos lutar por um mundo livre de preconceitos!
Por todos os meus amigos (sim, os gays são os melhores amigos de uma mulher!), desejo que, um dia, possamos viver num mundo isento de pensamentos machistas, um mundo sem HOMOFOBIA!




“A BAHIA É GAY”

A Parada Gay de Salvador é uma das maiores do Brasil, a quantidade de pessoas, de diferentes pontos da cidade, no trajeto tradicional do Carnaval faz sentir, à flor da pele, a diversidade de gênero e, não fiquem pasmos, possibilidades de interações sexuais. 
Muitos gays costumam afirmar que, por conta disso, a Parada Gay aqui perdeu o sentido! “Ninguém” – afirmam negligentemente – “leva a sério essa história de Parada”. Tenho profundas discordâncias e desafetos em relação a todos os discursos que se filiam a tal paradigma.
Por isso, gostaria de lembrar que a Bahia, corrijo-me, o Recôncavo Baiano, especialmente a nossa Soterópolis (que é o que conheço bem), vale-se da alegria – peço desculpas pelo estereótipo implícito – para expressar a Guerra ou a Paz. Se o molde de militância providenciado como modelo de seriedade por “companheiros de luta” não pode ser visto pelas ruas da Cidade, sinto isso com orgulho, com vaidades de ser baiano e não me dobrar, rapidamente, aos modelos de Parada Gay vindo de fora, tampouco aos princípios e parâmetros da boa (verdadeira) militância. Aqui em Salvador, nem música estrangeira entra sem ser adaptada à língua que professamos – vejamos o bom exemplo dos arrochas, com as suas múltiplas (re)versões.
A alegria, insisto, é a nossa linguagem de militância. Quando vejo gays beijando-se, ou desfilando acrobaticamente em cima de saltos, ou pulando à moda Axé Music, entendo tudo isso como protesto vital, legítimo. Compreendo que se quer, através dessa profusão de plumas e paetês (é só uma metáfora, não quero dizer com isso que todos os gays usem tais adornos), pronunciar expressões sexuais contra a opressão do machismo. Protestar com “leveza” ardil, como nos lembra I. Calvino.
Acredito que as expressões gays solicitam de quem está na Parada questionamentos acerca da natureza da sexualidade. Convida a todos a respeitarem a homossexualidade através do contato próximo com homossexuais, é a nossa gestalt terapia gay em praça pública!
Por isso, tenho certeza de que até os que vão para roubar, a minoria da minoria, aqueles que vão para perturbar e exercer sua homofobia, aqueles que vão evangelizar, todos os que estão fora do ideal da Parada terão, ainda que indiretamente, possibilidade de rever certezas e corrigir impropérios. Para mim nada é mais gay, mais queer, que usar a alegria baiana para fazer rir o sisudo machismo empreendido pela tradição judaico-cristã no Ocidente. 
Obrigado Grupo Gay da Bahia (GGB) por entender isso e fazer da Parada baiana um dia de alegria, um dia queer, um dia gay! Com certeza, quem for lá para rir dos gays verá, com inveja, o que é levar, na própria tez, a escrita de si, de uma vida, que supera convenções e faz questionamentos muito apropriados. Não se furtem, pois, de lembrar que um dos maiores problemas para a não aceitação dos gays é o fato de que os gays borram a ordem tradicional homem versus mulher, convidando a cada um a reinventar novas formas de relacionar-se, inclusive, sexualmente. Um desafio!
E, como tem dito o professor Luiz Mott, que fundou o GGB depois de ter recebido um tapa na cara por estar namorando no Farol da Barra com o companheiro, “A Bahia é Gay!!!”. Ter respondido a isso com uma parada alegre contra o mau humor homofóbico da tradição cristã é uma atitude que não pode ser vista como ressentimento. A Bahia é gay! Gay porque é a alegria a força que nos move e nos gesta. 

Ari Sacramento
Professor de Paleografia da UFBA 

Não podia deixar este dia tão importante passar em branco aqui no Ponto de Exclamação! Apoiar o movimento LGBT é muito mais que ir à boites com amigos e se divertir com eles, é preciso ajudar a não disseminar o preconceito que ainda resiste na sociedade!





Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. Adorei, concordo com cada palavra desse texto,e mesmo aquelas pessoas que nao gostam, deve sempre que ter respeito,que é sempre bom e evita a violencia, qualquer tipo de preconceito é ridiculo.
    Vamos ser mais tolerantes, vamos disseminar a paz!
    nao queria que precisasse ter uma parada gay ou um cortejo sobre a consciencia negra,sobre a emancipaçao da mulher, tudo seria melhor se todos se respeitassem comom iguais.Espero que isso um dia possa acontecer.

    Obrigada Ari, pelas suas palavras.

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